E é então que me pergunto porquê. Por que o faço e por que é que o continuo a fazer, se em troca não recebo mais que nada. Porque é que fico acordada até às duas da manhã a escrever páginas da História que já estudei ou porque é que fico a escrever planos de projectos que nunca serão reais. E sonho, e ambiciono, e acredito piamente que algum dia isto será o espelho de mim. E esta incessante característica de teimar em não querer mais dá cabo de mim. Estou como um osso roído, mas inacabado. Preciso, e a cada segundo esta necessidade aumenta, da fragmentação de mim própria, da fragmentação das minhas acções. Estou sem forças e sem capacidade para as descrever.
14 janeiro 2010
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sobre quem?
- F. Rocha
- Now you see it, now you don't!

1 comentário:
Não quero acreditar que nos forcemos a ser samaritanos, não creio idemmente que se damos, não esperamos receber. Esperamos sempre alguma coisa, nem que seja o gesto mais simples do mundo, um sorriso, nem que seja um café. Acredito também que, se o fazes é porque tens necessidade de o fazer, nem que seja para arranjares alguma paz interior, uma espécie de satisfação ima. Já eu, quando nos vemos sem norte - porque, sejamos honestos, que norte tenho eu? -, talvez o mais útil, se assim comanda a nossa natureza, é virarmo-nos para quem precisa de nós, ou de alguém como nós. Se há algum enlevo de ver os outros subir, e se, em parte, saber que fizemos parte da sua ascensão, dá-nos uma espécie de agrado. Damo-nos apreço a nós próprios, acho. Uma forma de contrariar o nosso próprio estado de podridão, creio.
Muito menos, meu espelho, te posso de alguma forma dizer para não sonhares. Temos que idealizar futuros, mesmo que sejam infrutíferos, temos de nos dar, a nós próprios, essa chance, de subir mais alto que o céu - de acreditar num meio maior, onde nós fomos semente de gracioso pomar.
Não te posso deixar de dizer, vezes sem conta, é que tu estás a cansar-te a ti mesma, mas eu sei, no mínimo sei, que tens uma chama que arde de prazer, mas o cansaço com que seguras a vela faz com que pareça que essa chama não vale o preço.
Alguma vez aceitaria que te desfizesses, fosse eu ter a ti, ou aos teus pedaços, e colar-te-ia por inteiro. E se faltasse alguma parte, dar-te-ia os meus braços já esburacados, para que nunca te canses de segurar essa vela. Mas o que precisas é de dormir, e acima de tudo, deixares o teu sonho esvoaçar um pouco, mais tarde ou mais cedo aperceber-te-ás que não era a chama que estava fraca, muito antes, eram os teus olhos semicerrados.
Não há paga pelos nossos esforços, há simplesmente aqueles que nos ajudam a levantar os braços - fica tudo no sítio, enquanto descansamos. Também já te disse e expressei, que estás numa idade - nessa tua idade mental, bem longe da física, muito mais matura - em que talvez sintas necessidade de te redescobrires. E é isso mesmo, é uma redescoberta, não uma anulação.
E amanhã, quando te vir, levas um valente abraço. Não te quero mofina, para isso já basto eu.
Adoro-te.
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