18 janeiro 2010

Dedicado


O que não consigo falar-te, tentá-lo-ei escrever hoje. Pela primeira vez, como pela primeira vez, os meus esforços dedicam-se a ti em pleno e espero, desprovida de segundas intençoes, que os entendas como uma acção de amor.
Tento sentir pouco e livrar-me de consciências, mas sem sucesso. Tento, acima de tudo, que isso te seja invisivel para que não me deixes, mas a verdade é que preciso que me deixes, e isso custa-me mais que tudo. Isso custa-me o teu riso, custa-me os teus olhos, custa-me a tua companhia e custam-me as palavras. Custam-me tanto essas que derramas em mim e que me derretem, invariavelmente.
Mas o tempo passa e vai passando sem que consiga tirar-lhe proveito. E choram explicações por todo o lado e nenhuma que justifique o tempo que passa. Sempre foi injusto, o tempo. No entanto, fica a ideia da tentativa de contornar essa constante como se me fosse possivel, ainda que contra o mundo. Porque o mundo continua a girar para o mesmo lado e eu, conscientemente que não. Não é agradável a sensação de derrota contra o tempo do mundo. Não é agradável qualquer derrota, sabes isso tão bem, que nos desmotiva e repreende porque, afinal, podiamos tê-lo feito tão bem e não fizemos. E o tempo acabou, ditou o fim.
Confio no destino, agora. Preciso que confies comigo, para que o tempo não seja mais ditador. E deixemos a conclusão ao destino. Que vai magoar? Os calos magoam, mas acabam a proteger-nos e deviamos servir-nos deles. Não o fiz contigo, deixei que a minha inocência cúmplice voasse junto a ti, e esse foi o meu erro. E é disso que me tento desculpar, sem justificações convincentes, tanto para ti como para mim. E é isso que a minha consciencia grita, todos os dias, como pude roubar-te as asas, se nunca tive umas minhas.
Quero devolver-tas (quero tanto que as aceites de volta) para, um dia, voares feliz. Deixa a mágoa toda para mim, que com ela eu posso bem, que já me calejei.
Não tenho duvidas de que quando agarrar o tempo e girar com o mundo, vou querer voar também, mas até lá seria outro erro, e a injustiça é tamanha.

5 comentários:

ag disse...

Parece incongruente comentar isto. Mas, a ironia, que não tem ironia nenhuma, é a responsabilidade de olhar para quem nos olha com tanto apreço, o preço que é, ser de apreço. E quanto mais custa, quando queriamos dar um igual apreço e nem preço que conseguimos dar.

(és grande, sabias?)

C disse...

fair n square

Anónimo disse...

Ja te disse que jamais serei egoísta ao ponto de não respeitar o teu espaço, as tuas convicçoes, a tua maneira de ser.
No entanto, não estou a lidar bem com isto, tudo é novo, estou a aprender. Por isso é que muitas vezes posso ter atitudes que nem eu as percebo mas que as acabo por fazer involuntariamente.
Não está a ser fácil para ambos acredito. porém n acho que me tenhas roubado as asas, o q penso foi que perdes-te as tuas e eu tento incansavelmente fazer tudo o que puder para te ajudar (no que tu quiseres), a encontra-las para que voltes a voar comigo!!

AMO-TE

Gabriela Lacerda disse...

concordo com o Guerreiro, és grande, principalmente naquilo em que te sentes diminuída, "tento sentir pouco e livrar-me de consciências, mas sem sucesso", acredita que és! :)

João disse...

acho que só hojeentendi o verdadeiro significado deste texto. o tempo sempre o tempo, foi um inimigo sempre presente....

sobre quem?

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