25 dezembro 2009

Estás ao contrário

Há coisas que não se podem recusar. Se o teu pai tivesse sido morto na guerra, a tua mãe violada e já nao tivesses cama onde dormir, certamente não defendias com essa força a necessidade bélica que o Mundo emana. Não consigo aceitar que aceites a tradição imutável, se a tradição peca por tanta coisa, ainda. Devia respeitar mas há algo dentro de mim que se revolta perante ti, ao dizeres que precisamos da morte em vez de precisarmos da vida. É como dizer que preferes fazer tudo rápido e mal, do que lento e bem feito; e isso não é aceitavel, neste caso, e em nenhum outro, à primeira e à segunda vista. Afinal, não é como dizeres isso, é realmente dizeres isso, sem tirar nem por. Para mim, foi demasiado radical deparar-me com alguem como tu, com principios tão definidos, mas tão mal estruturados. A questão é exactamente essa, são minusculos pormenores (ainda mais pequenos do que se fossem so pormenores simples) que falham no teu raciocinio e o distorcem. O que mais me atormenta é não saber discodificar essas falhas de forma inquestionavel, criando assim margem para duvidas. Felizmente, temos a dúvida tanto para mim como para ti. Uma vez ciente de que a duvida não pode intersectar a minha linha de pensamento, por uma questao de segurança nas palavras, deixo-a para ti, que tanto precisas. Deixo que ela te abrace e coloque em causa essas convicçoes estranhas. Sabe que tentei entende-las e que quase compreendo como se formaram, mas que foram mal formadas dou-te a certeza.

1 comentário:

Inês Alves disse...

Se se anda ao contrário ou não, é uma questão de perspectiva. Por vezes, temos tanta necessidade de nos apoiarmos em valores mal estruturados, mesmo que sejam criados por nós e não adquiridos, que nem olhamos para as consequências que isso pode vir a ter.
Beijo querida.

sobre quem?

Now you see it, now you don't!
!
Contador de acessos