15 novembro 2009


Serei breve na dissertação dos meus problemas. E já me vou alongar por saber que nem os meus problemas nem a minha dissertação poderão, algum dia, vir a ser breves. Sentem-se, fumem um cigarro e peçam um café; quando apagarem a beata ainda estarei à espera que o vosso café, já frio, seja bebido, para poder começar. Não me vou demorar...

Se sei que me estou a contradizer, pela necessidade que esperem por mim, que a tenho, não me vou desculpar com paradoxos inconscientes. Porque também os há, não sou eu que os quero inventar.

E, posto isto, devo começar por factos. Como se toda a minha vida se resumisse na apresentação das minhas acçoes, sem nada que possa ser espelhado para vocês. Porque pode ser espelhado para toda a gente e afogar próximas erradas acções, nem que seja durante o escasso tempo em que as leêm.

Se os meus problemas, não são os vossos, ou eu não sou humana ou vocês não pertencem a este Mundo. E não porei em causa nenhuma das duas possibilidades até vos conhecer, nem até me conhecer. Nisto, surge quem não me sustenta a vida, eu mesma; e surge, como companhia, o que não é a minha vida. É um dos menos breves dos meus problemas, que segue todos os outros, e todos os outros que não são problemas mas que morrem como tais.

Consta que a ignorância é um problema. É um dos breves, no meu caso. E não falo do grau de ignorancia para que não haja mal entendidos. Mais um!, a subjectividade. Não cessa de nos acompanhar e é drasticamente impertinente, exibindo-se de todas as formas e feitios.

Mas problemas há muitos.

2 comentários:

ag disse...

Sentemo-nos todos, aqueles que queremos ouvir, isto que faz de nós humanos e não humanizados. Aquilo que nos eleva além de nós próprios e não aquilo que garante a nossa validade enquanto Eu. Parece-me, tantas vezes, que a vida nos vai contando lento aquilo que esperamos dela, ou aquilo que nós - enquanto centro da nossa vida - vamos aprendendo a esperar delas. Que nos ergamos da cadeira simplesmente para nos sentarmos todos juntos, uma e única vez, para que, talvez, àqueles que não dirigimos a vida mas àqueles à qual a vida se afez, falarmos da nossa vida paradoxal. O dilema é tanto de nos querermos encontrar no mundo que tantas vezes despistamo-lo, porquê? Porque visamos algo, detorpado sempre, porque esperamos sempre algo de os outros, ou vamos aprendendo a esperar. E nestas tertúlias fumarentas, não só essas que cobrem a realidade, aprendemos, vagarosos, que não somos nós os humanos. Que muitas das vezes, somos demasiado humanos, demasiado longe já daqueles que só são humanos.
De que nos resta falarmos se no fim as nossas palavras são medalhões de realidades diferentes. Parece-me, se é que me permites opinar, agora de cigarro fumado e café bem frio, que àqueles que se encontram nos outros serão sempre demasiado humanos, que aqueles que se vinculam em si mesmos, alheios aos outros e ignorados de si mesmos, serão tão-só seres vivos. Infelizmente, o percurso que fazemos chama-se vida e não humano.
Dissipar a mente, que a vida é para os humanos. Partilhas? Isso é para nós que beijamos a morte e bebemos a amargura da existência.

Purple disse...

Sentei-me e li, e digo que li muito, e que gostei ainda mais. Problemas haverá sempre, e em muito mais quantidade do que aquela que nos bastaria. Mas sentaria-mo-nos horas falando apenas de metade deles.
(mas o tempo é outro problema) .

(: Gostei mesmo da tua escrita,
Beijinho *

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